Tiraste-me de mim
E deixaste-me naquele deserto
Branco.
E cada átomo em mim
clama pela palavra,
a tua,
que me mate a sede
de cor.
Author: monizes
71.1710° N, 25.7837° E
Eu quero um frio glacial
De congelar as sinapses...
Eu quero um silêncio árctico
Que me não deixe ouvir
teu grito.
Antes quero
que essa neve me queime
E me enterre
Num manto branco
Porque morrer assim
É teatro-
Morrer por ti-
Insensato.
Oásis
Se soprares a areia do Sahara
Em direcção à ilha...
Sentir-te-ei
Em cada partícula do deserto,
Que na minha pele tocar...
Ad aeternum
Gritar
E estremecer a terra
Até à terra me estremecer,
Matar-me o corpo
já morto
E sepultar-me a alma
No mais profundo de si.
Para todo o sempre-
Para nunca mais.
O tempo está de norte
Não me reconheço
Se sabia quem era
Desconheço quem sou...
Porque tudo mudou
E eu sinto a dança
Das cadeiras
Ao vento-
O vendaval-
A percorrer-me a mente
E não há enseada
Que mitigue
A força do temporal...
Combustão
Não sei quem és…
porém toco-te
e estremeço…
estremeces-me…
Cubro os teus olhos
com as minhas mãos
e reconheço-te
dos meus sonhos.
És minha.
Escreve-me no corpo
o que tens na alma
que eu
respiro-te
e perco a calma…
Não me acordes,
não me acordes,
nem acordes
que eu quero sempre
sonhar-te!
És essência,
devaneio,
fantasia,
desvario!
Lume,
Fogo!
E eu
cinzas
depois de ti.
Núcleo
Enquanto falavas
e te rias,
nos intervalos,
eu observava-te
de longe
e sorria por dentro
atento
ao brilho de pérola
do teu olhar…
Encanta-me
esse teu jeito
tão próprio de ser,
essa voz frágil
tingida
de forte
pelas coisas que dizes.
És forte
sim,
segura,
ousada,
porém delicada
quando me olhas…
Implodo
vezes sem conta…
sabes lá…
São
infinitas estrelas
que chocam
umas contra as outras
à velocidade da luz
dentro de mim….
Provocas-me
uma espécie de
céu apocalíptico-
“Os deuses estão loucos?!”
Não!
É a quarta lei de Newton
em acção
que ele
só não elaborou
porque não chegou a conhecer-te.
Tu és
a força motriz
do meu universo
e tudo o resto
são restos.
111.05€ * ∞
Tu és
Matéria onírica
De veia (imaginária)
satírica
Espírito inventivo
E para sempre
Apelativo,
Uma luz
Sobre a luz
Que, com o seu sorriso,
Seduz
E anula
Qualquer resquício de miséria
Presente
Em mim.
Enriqueço
assim que te vejo
assim que te penso...
Tu és o meu tesouro
De uso pessoal
E intransmissível
(como os passes)
e é, de facto,
inconcebível
que eu ainda não
to tenha dito!
E nem acredito
Que estou agora
A fazê-lo.
Mas estou.
E já está.
No princípio era
Que estou eu a fazer?
Parece-me que
Em mim veio habitar
Um outro ser.
Tomou-me de assalto
Sem sequer dizer:
“Mãos ao alto!”
Modificou
Os meus padrões cerebrais
Tomou-me a mão
E fez-me não pensar mais
no fim...
Fez-me esboçar
Um sorriso por dentro
Coisa que, confesso,
Já não me lembrava
A que sabia.
A que sabe?
Sabe a corpo leve,
A temperatura ideal,
A paz espiritual...
Estado sagrado
Redoma indestrutível
Porcelana que nem o fogo mais forte
Poderá consumir.
Sei o que digo
mas...
Ao mesmo tempo, não sei...
Vou fazer uma nova lei:
Alínea primeira:
Tudo fazer para que fiques
Em mim.
Sei,
Que se for assim,
Converterei cada pedra do caminho
Numa planta de linho
E, com o tempo,
Acrescentar-lhe-ei
Terminações nervosas
E hipocampo,
Um pouco de sentido de humor
e...voilà!
Que horror...
Terei criado
Um pré-indivíduo...
Não, obrigado,
Já dizia o ditado:
“Pedra que é pedra,
deve permanecer pedra”.
Não conhece o adágio?
Que falta de cultura, pois então!
Não sei porquê
Mas sinto
Um ligeiro cheiro a nada-
será prosema?
Que náusea...
Termino, sem dilema.
Ex vano
A inutilidade
De tudo.
Impérios físicos
E mentais...
Tudo isto
É apenas um jogo
Para passar o tempo,
Tempo que nos foi dado
Sem que o tivéssemos pedido.
Somos todos crianças,
Em qualquer idade,
Ora de bibe,
Ora de mini-saia
Ora de gravata
no parlamento,
brincando,
fazendo de conta...
“Dá-me a minha boneca,
ou vou dizer à mãe!”
“A minha parte até à meia-noite
ou o mundo ficará a saber...”
Ou! Ou! Ou!
Somos também grandes actores
E actrizes
Porquanto somos todos uns infelizes
Mas temos no rosto e no corpo
A expressão exactamente oposta.
Quem não gosta,
Enfim,
De viver neste éden, neste jardim
Do faz de conta?