Que estou eu a fazer?
Parece-me que
Em mim veio habitar
Um outro ser.
Tomou-me de assalto
Sem sequer dizer:
“Mãos ao alto!”
Modificou
Os meus padrões cerebrais
Tomou-me a mão
E fez-me não pensar mais
no fim...
Fez-me esboçar
Um sorriso por dentro
Coisa que, confesso,
Já não me lembrava
A que sabia.
A que sabe?
Sabe a corpo leve,
A temperatura ideal,
A paz espiritual...
Estado sagrado
Redoma indestrutível
Porcelana que nem o fogo mais forte
Poderá consumir.
Sei o que digo
mas...
Ao mesmo tempo, não sei...
Vou fazer uma nova lei:
Alínea primeira:
Tudo fazer para que fiques
Em mim.
Sei,
Que se for assim,
Converterei cada pedra do caminho
Numa planta de linho
E, com o tempo,
Acrescentar-lhe-ei
Terminações nervosas
E hipocampo,
Um pouco de sentido de humor
e...voilà!
Que horror...
Terei criado
Um pré-indivíduo...
Não, obrigado,
Já dizia o ditado:
“Pedra que é pedra,
deve permanecer pedra”.
Não conhece o adágio?
Que falta de cultura, pois então!
Não sei porquê
Mas sinto
Um ligeiro cheiro a nada-
será prosema?
Que náusea...
Termino, sem dilema.