Madrugadas

Não sei bem 
o que se passa-
Basta-me pensar em ti
E as palavras saem
E caem
Na folha
Como a chuva na terra.
Agora não rimou...
Que importa?
Estou
Contente na mesma!
Hei-de escrever-te 
de poemas uma resma!
Que te parece?
Será a minha nova prece
Ao deitar e acordar.
Crês que seja pecado?
Pecado é ter
O espírito congelado
E nada fazer
Para inverter o processo.
Já sei!
Vou fazer e dedicar-te
Um extraordinário congresso
Destinado a exaltar
As tuas qualidades especiais!
Eu 
e as minhas ideias fenomenais...
Ou talvez o ideal fosse
Pintar o teu retrato 
Que doooceee....
O problema é 
Que não tenho meios para executar
Nem uma coisa, nem outra.
Sou pobre
E a preguiça e o tédio
Surgem-me num constante assédio
Ao qual cedo
Invariavelmente.
É, contudo, 
ponto assente
que não sei bem
o que se passa
e vou-me por isso embora
antes que faça
meio-dia
(dá nisto pensar em ti logo de manhã).

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