Não tenho hora
nem local preferencial
para te ver.
Até te vejo
Onde não estás,
Vê lá tu!
E já senti
O teu perfume
Em situações anormais
E já até ouvi
a tua voz
algo difusa nos telejornais.
Por Deus,
Que queres mais?!
Estás em todo o lado,
És tudo,
Eis tudo!
Ficas aí,
calado e mudo
mas eu leio-te as ideias.
Tens várias cabeças
Cheias de eus contraditórios
E por vezes dizes
Que os sentimentos
São meros acessórios.
Outras, porém,
Dizes:
“Coitado de quem
nunca amou”.
Eu sou
O teu analista
E um dia serei
Monge budista
E viverei numa ermida
Onde meditarei
Sobre a tua personalidade
E sobre ela edificarei
A minha tese de doutoramento.
Usarei como argumento
para justificar a tua atitude
que o teu mal é exactamente igual
ao de Pessoa
que muitos dizem
ter escrito genialidades
à toa...
Assim,
serás famoso,
Um místico,
Um mito,
Com direito
A feriado nacional
que as gerações vindouras
para sempre recordarão
como “o dia do tal”.
Aí tens
A tua imortalidade.