E foi quando me disseste: “Não te sabia tão dada à filosofia”. E eu disse-te: “Pois, ninguém sabe...”. E o teu olhar Nesse instante Pareceu-me cúmplice De uma verdade oculta Que só eu e tu conhecíamos. Ou talvez fosse apenas Uma vaga impressão Tecida pela imaginação Talvez doentia De quem outrora sentia Que viver A pena valia. E depois Nunca cheguei a perceber Se era certa ou não A minha hipótese. Note-se Que tu Não és fácil de compreender: Escondes-te Atrás desse olhar Que lanças para a mesa Ao acaso a ver se acertas num qualquer alvo e... que mais há a dizer? Vou experimentar Berrar-te um impropério A ver se tu, Cleópatra, Cais E, contigo, O teu império! Gostaria de ver-te, Uma vez que fosse, Com uma expressão de dúvida e de medo, mandar-te para o degredo e depois salvar-te mas somente sob a promessa de que me deixarias arrancar-te a alma completa e guardá-la na rua deserta que é agora a minha.