Estás a ver o género Agapanthus? Encantador, No seu jeito, Mas não. Conheces a espécie Brisa maxima? Não é que tenha Particular graça, por isso Também não. Pouco perdes em não conhecê-las Mas eu, ao vê-las, lembro-me sempre de ti. Não que sejas uma inflorescência Ou que ondules Sob o sopro de inocência De um vento Que vem de norte. É apenas porque, Por mais que eu procure Ser forte, Basta eu respirar Para sentir-te. Tu estás no ar, Entendes? Tu és parte integrante Dos átomos de nitrogénio Que inalo. Só não te falo Por medo de perder-te... Ter-te Seria inventar Novas palavras, Novos sentidos Fazer centenas de desmentidos: “Afinal, não era assim...” Tu e eu Pintaríamos o céu De carmim Mandaríamos A gravidade para a lua E o que agora está preso Ao chão duro Levitaria, como num truque de magia atingindo o alto e saltando o muro irreal. Bem ou mal Só se vive uma vez Por isso, de cabeça nessa nova Terra Vem, e esgotemos a vida...